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  • Luis Piccardi

Você sabe o que é estresse ocupacional?


Entrar no mercado corporativo é um desafio e sempre vem com uma grande bagagem: os novos funcionários devem aprender não apenas o que é onboarding, mas termos novos, particularidades da companhia, objetivos a conquistar, etc.


É uma grande responsabilidade vir a integrar o corpo de colaboradores de uma empresa, especialmente em um cargo com muitas obrigações, constante monitoramento e cobranças de resultados.


Embora tudo isso seja compreensível, as consequências, caso a empresa não se preocupe em fazer a manutenção do bem-estar do funcionário e fornecer meios para que ele se organize física e psicologicamente, são bastante complexas.


Síndrome de Burnout, transtornos de ansiedade, dores nas costas e no pescoço que podem vir a se tornar crônicas, enxaquecas... Tudo isso está contido dentro de um termo guarda-chuva, o chamado estresse ocupacional.


A seguir, falaremos um pouco mais sobre ele, explicando as suas causas, desdobramentos, possibilidades de tratamento, entre outras coisas. Se você gostaria de entender um pouco mais sobre o assunto, leia o material que preparamos.


Entendendo o estresse


Segundo artigo publicado na Revista Brasileira de Medicina do Trabalho, de autoria de Claudia Eliza Papa do Prado, o estresse apresenta-se como uma resposta do corpo diante de exigências às quais ele está sendo submetido.


Quando alguém está diante de uma situação ameaçadora, há liberação de emoções de ansiedade, medo, tristeza ou raiva.


O estresse produz reações de defesa diante do estímulo negativo. Em determinado momento dessa reação, em uma fase que chamamos de resistência, a pessoa afetada tenta restabelecer o seu equilíbrio após grande desgaste, já que o organismo sofre de forma significativa o impacto da liberação do estresse.


Nesse momento, o corpo está vulnerável a doenças, há dificuldade de reter informações, tremores musculares, fadiga física, desânimo, dificuldade de concentração, oscilações de humor e instabilidade emocional.


Depois da fase de resistência, há a chamada fase de exaustão. É, segundo Prado, a condição mais crítica associada ao estresse. Após ser exposto ao mesmo agente estressor por um certo número de vezes, o organismo pode entrar em colapso e desenvolver doenças graves.


Estresse ocupacional


Pegando o gancho do tópico anterior, falemos sobre o estresse que ocorre no ambiente de trabalho, o chamado estresse ocupacional. Como o nome sugere, ele está atrelado aos estímulos que exigem resposta rápida, feitos dentro do local laboral.


Os agentes estressores, em empresas, escritórios e afins, são os fatores extraorganizacionais e organizacionais, individuais e de grupo. Nessa abordagem, avaliamos o estresse ocupacional como a reação aos processos afetivos, emocionais e intelectuais de uma pessoa frente ao seu espaço de trabalho e seus companheiros.

O estresse ocupacional afeta não apenas o indíviduo em sua totalidade, mas a sua prestação de serviço. Para evitar que ambas as coisas aconteçam, é fundamental fazer a prevenção da enfermidade.


Para Prado, o enfrentamento do estresse tem como objetivo enfatizar a dimensão humana do trabalho - afinal, quem executa o serviço, por mais burocrático que ele seja, ainda é uma pessoa -, minimizando os efeitos da pressão cotidiana e diminuindo o impacto destes no bem-estar emocional e físico dos colaboradores.


A redução do estresse envolve diversos fatores, como:


estímulo à alimentação saudável, com horário regular, em ambiente adequado (sem barulho, sem cobranças de trabalho);


relaxamento, que pode ser promovido através de ações como dias de meditação, massagem ou relaxamento guiado, e fortalecido diariamente pela criação de uma sala de descanso no local de trabalho;


exercício físico, que pode ser estimulado através da parceria da empresa com espaços de dança, academias e afins;


estabilidade emocional, que pode ser conseguida através de cursos de comunicação não-violenta, melhora das relações interpessoais no escritório e parcerias com psicólogos e clínicas de terapias integrativas.


Qual é o papel da empresa na prevenção ao estresse ocupacional?


É o papel-chave, na verdade. É dever da empresa promover um local saudável ao trabalhador, para que ele possa desenvolver as suas atividades com tranquilidade, foco e motivação, e para que ele não seja afetado negativamente pela profissão que escolheu para a vida.


A empresa deve, desde o primeiro momento - daí a necessidade de um bom onboarding, voltando ao início do artigo! -, mostrar-se à disposição do colaborador.

Ela é, além do espaço onde ele ganha o seu sustento, o local onde ele estará durante boa parte do seu dia, cinco ou seis vezes na semana. Para que essa relação seja positiva e duradoura, é preciso que haja reciprocidade, respeito pelas necessidades, empatia e cuidados.


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Fonte: @Portogente

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